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Consciência Ambiental X Copa: O futuro não tem prorrogação

Consciência Ambiental X Copa: O futuro não tem prorrogação

Desde 1930, seleções dos 4 cantos do planeta se juntam pra disputar a taça mais desejada do futebol. De lá pra cá, o número de participantes da Copa do Mundo saltou de 13 pra 48


Estreantes da Copa X Sustentabilidade

Com o recorde histórico de delegações, uma pergunta paira no ar: se países tão diversos se unem em um único evento esportivo, por que isso também não acontece na sustentabilidade? Os fatores culturais & geográficos pesam nessa conta? Pra (tentar) encontrar uma resposta, vamos espiar o que cada estreante da competição está fazendo.


Cabo Verde

Cabo Verde é a prova de que a consciência ambiental pode ser fruto da necessidade. O arquipélago vulcânico tem território limitado, poucas chuvas e vulnerabilidade aos eventos climáticos extremos. Com isso, a redução do desperdício se tornou uma verdadeira cultura por lá e a economia azul, que combina preservação marinha, pesca sustentável e turismo responsável, se firmou como uma das principais fontes de renda da população.


Curaçao

Curaçao é outra ilha que disputa a competição pela 1ª vez. Conhecida pelas paisagens paradisíacas do Caribe, ela enfrenta grandes desafios quando se fala em recursos naturais, como água potável. Com ventos, sol e fora da principal rota de furacões, o país tem investido em energia renovável solar e eólica. Apesar dos avanços, o controverso passado com polo de refino e armazenamento de petróleo ainda pode voltar


Jordânia

A Jordânia também sofre com escassez hídrica, por causa dos poucos rios, das chuvas esparsas e da dependência de aquíferos subterrâneos. A chegada de milhões de refugiados pressiona ainda mais essa situação. Por outro lado, a localidade do Oriente Médio é tradicionalmente conhecida pela arquitetura sustentável com construções milenares e modernas que garantem naturalmente ventilação, proteção solar e conforto térmico.


Uzbequistão 

O Uzbequistão fecha essa lista com outro cenário. Durante décadas, o cultivo de algodão foi a principal atividade econômica, se tornando um símbolo nacional. Porém, o desvio de importantes rios para a irrigação artificial resultou em um dos maiores desastres ambientais da história moderna: o colapso do Mar de Aral. Mesmo após o ocorrido, 90% do consumo local de água segue ligado à agricultura, principalmente a algodoeira.


Impacto ambiental da Copa do Mundo 2026

Depois de checar como a sustentabilidade pode mudar de região pra região, não podemos deixar de trazer outro assunto à tona. O impacto ambiental da Copa 2026. Pela 1ª vez, o campeonato será sediado em 3 países (México, Canadá e Estados Unidos) e essa é uma moeda de duas faces. De um lado, ganhos culturais e sociais pela descentralização do evento, por outro, aumento de deslocamentos aéreos e emissões de gases de efeito estufa.


Pegada de carbono

Vai ter gol, festa, torcida e um evento com pegada de carbono estimada em 9 milhões de toneladas de CO₂e. Com 104 partidas espalhadas por 16 cidades-sede e até milhares de quilômetros de distância entre elas, o avião é praticamente o único meio de transporte possível para as equipes e torcedores. Outros pontos que chamam a atenção são as ondas de calor intensas que podem atingir a região e possíveis casos de greenwashing.


Estádios da Copa

Por outro lado, a organização adotou medidas para minimizar esses impactos. Em sua maioria, os jogos serão disputados em estádios já existentes. Até então, havia a prática de se construir novas arenas (como ocorreu no Brasil, em 2014). Além disso, 12 dos campos desta edição já operam com alguma fonte de energia renovável ou têm projetos de eficiência energética, como painéis solares e energia hidrelétrica. 


Mobilidade 

Sobre mobilidade local, o planejamento prevê a implementação de transporte público de baixo carbono, como os ônibus elétricos que vão circular pelo município de Dallas. Já na questão da gestão de resíduos, as cidades mexicanas devem ganhar iniciativas de upcycling, reciclagem e compostagem. Em relação às altas temperaturas do verão, a FIFA reforçou a importância das pausas obrigatórias e dos ambientes climatizados pros jogadores.


Muitas coisas estão sendo feitas, mas há tantas outras por fazer. Como já cantava aquela famosa banda mineira de pop rock: bola na trave não altera o placar (do clima). Priiiii. Apita o árbitro.




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