Captura de Carbono: Os novos caçadores de gases de efeito estufa

Captura de Carbono: Os novos caçadores de gases de efeito estufa

E se um ganhador do Nobel de Química te dissesse que a captura de carbono é a solução mais realista para combater as mudanças climáticas? Bem, já tem muita gente investindo alto nessas (caras) tecnologias, u-hum.


Abrindo o microfone

O pesquisador Omar Yaghi (que recebeu o prêmio em 2025) defende que ainda não existem alternativas para substituir os combustíveis fósseis na velocidade e na escala necessárias para frear a crise climática. Por isso, remover os gases de efeito estufa da atmosfera ou absorvê-los antes de serem emitidos pela indústria é, na visão dele, uma das poucas alternativas viáveis para o problema.


Quem investe em captura de carbono

Calma que ele não está sozinho nessa. Mesmo com os elevados custos, governos, corporações privadas, fundos de investimento e bancos de desenvolvimento estão apostando nessas iniciativas conhecidas como CCUS. Um ponto que chama a atenção é que uma parcela considerável desses recursos vem de setores tradicionalmente poluentes, como empresas de energia, mineração e exploração de petróleo. 

Ou seja, os grandes emissores de carbono estão financiando iniciativas para capturar parte das próprias emissões. Os Estados Unidos, por exemplo, concentram cerca de 45% do mercado global de sequestro de GEE. Vale lembrar que o país deixou oficialmente (pela 2ª vez) o Acordo de Paris. Já a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também apostam na construção de megacomplexos de armazenamento de gases.


Algumas tecnologias de sequestro de carbono

Não se engane em pensar que as iniciativas de CCUS se resumem a construir usinas ou instalar filtros para evitar que o CO₂e seja liberado no ar. Esse mercado também contempla inovações tecnológicas dignas dos Jetsons. 


Brasil

No Brasil, uma pesquisadora da Unesp está usando uma cianobactéria coletada do mar de Ubatuba para criar um aparelho que produz eletricidade ao mesmo tempo em que limpa o ar por meio do processo de fotossíntese. Porém, apesar de promissora, a invenção ainda produz bem menos energia do que uma placa solar convencional.


Suíça

Já o Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, também utilizou bactérias para desenvolver um ~material vivo~ que pode ser usado em impressoras 3D. O grande diferencial é que ele consegue absorver duplamente o carbono do ambiente, utilizando a própria biomassa e formando minerais.

Estados Unidos

Na natureza, a combinação entre chuva e algumas rochas ajuda a capturar o dióxido de carbono. Esse processo é recriado por uma startup norte-americana que recebeu um investimento milionário pra expandir as operações. O sistema, composto por reatores e rochas carbonáticas, trata as águas residuais ao mesmo tempo em que remove o CO₂e da atmosfera.


E a transição energética?

Esse cenário traz à tona uma importante discussão ambiental sobre o envolvimento de petroleiras (e nações poluidoras) nesse mercado. Alguns estudiosos entendem que essas medidas podem ser uma manobra de sobrevivência comercial e econômica, permitindo que a extração de combustíveis fósseis continue, assim como a exportação para mercados com leis climáticas mais rígidas, como a Europa.

A pergunta que não quer calar

Aí chegamos a uma questão que ainda não tem uma resposta definitiva. O foco deveria ser direcionar os esforços para capturar, utilizar e armazenar o carbono da atmosfera ou investir em práticas de redução das emissões & de mitigação climática?




Criamos um Canal de Transmissão no Instagram. Espie aqui!